Eram 6:30 da manhã quando o relógio tocou, então Pedro mentalizou: "é...tá na hora de levantar". Espreguiçou um pouco, meio sonolento, então saltou de sua cama e foi para cozinha, como em todas as manhãs. Pegou um pacote de bolachas e um copo de leite com achocolatado e por ali ficou saboreando seu café da manhã. Sua mãe e seu pai, entram na cozinha e lhe dão um bom dia, simples e rotineiro, e ao terminar o que estava comendo, Pedro se dirige ao seu quarto, veste a primeira calça jeans que encontra em seu guarda-roupas, uma camiseta qualquer e um par de tênis e se apronta para o trabalho. Então, ele fala consigo mesmo "vai começar tudo de novo...mas uma vez, o mesmo rodo cotidiano". Pega seu fone de ouvido e começa a ouvir um reggae para começar bem seu dia. Se dirige para o carro, onde seus pais já o estão esperando para lhe dar uma carona. Chega ao trabalho, antes das 8 horas, em uma loja de eletrônicos onde trabalha na parte administrativa. E como em todas as manhãs, ele se pergunta: "será que é isso que eu quero pelo resto da minha vida? Não, não pode ser".
Com o passar das horas, Pedro faz tudo o que tem de ser feito, como um bom funcionário, emite notas, faz o controle do estoque, pede reposição de mercadorias, etc, etc, etc. E ao final do dia expediente, Pablo, seu colega de trabalho, o fica esperando no carro para irem juntos para a faculdade de Administração. Aulas monótonas, cheias de teorias muitas das vezes sem fundamento na prática, mas que são expostas como se fossem as mais interessantes de serem estudadas. E isso deixa Pedro, ainda mais aborrecido com sua rotina. Ao final da aula, Pablo o deixa em casa, e ao entrar, sempre se depara com seu pai, todas as noites, solitário na sala, vendo o final da novela das 10 horas na Rede Globo. Ele passa direto, dá um boa noite, e entra para seu quarto, onde seu irmão mais novo, está jogando Dota no computador, e o que se ouve é um apenas "iae". Então, as atenções se voltam para o jogo e Pedro em suas indagações, questionamentos e coisas do tipo.
Questionando-se mais uma vez, ele sabe que tem que mudar algumas coisas para sair do ócio que o chateia, mas o que seria? Conhecer novas mulheres? Não poderia ser, pois ele faz isso todos os finais de semana, indo para as baladas, boates e festas privadas, com seus amigos e irmão, e isto não foi o diferencial para o deixar menos importunado com sua rotina, até porque tudo que entra na rotina, sejam elas em quaisquer dia da semana, não é algo que preencha por completo a necessidade humana, como outrora fora. Depois questiona-se novamente, uma viajem talvez? Mas não havia muito tempo e ele havia ido a praia com sua família, então quem sabe, voltar a academia ou jogar bola? Isso também ele praticava com frequência. A todas as perguntas, Pedro já tinha uma resposta pronta. Com isso, ele chegou a conclusão de que não eram fragmentos que iriam suprir suas necessidades de sair da rotina, mas sim a união de todas elas juntas. Nisso, ele resolveu praticar outras atividades, indo ao parque correr e posteriormente praticar Tai Chi Chuan, conhecer novas pessoas hora na biblioteca, hora no parque de diversões ou mesmo na faculdade. O garoto, estava determinado a mudar, e fazia chuva ou fazia sol isso o estava animando. Pois a cada novo estímulo diferente, que o fazia sair completamente do seu cotidiano, estava deixando-o completamente determinado.
Com o passar do tempo, a cada nova realização de algo que o estimulava, seja aprender uma nova língua ou a andar de skate, praticar slackline ou criar um prato sofisticado, se tornou a sua rotina, mas não mais aquela rotina monótona e entediosa que ele deixara no passado. Mas uma nova rotina, repleta de ações que o alegravam e o faziam se sentir uma pessoa totalmente oposta daquela que um dia ele imaginara ser. Pois, se não tivesse buscado essa mudança, mesmo que espontânea do jeito que fora, ele não teria se transformado na pessoa excêntrica que se tornara. Por isso, devemos sempre, estar em completa metamorfose, e claro, com pés no chão, devagar e sempre para melhor...nada de retrocesso, e só assim alcançaremos o sucesso.
Disturbed Mind
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
ENTRE ENCONTRO E DESENCONTROS
Pedro, 16 anos, mora com seus os pais e 1 irmão mais novo. Ele como qualquer adolescente, ou melhor, como qualquer pessoa, têm seus problemas psicológicos. Pois, o ditado já dizia: "de médico e louco todo mundo tem um pouco". Com isso, ele tem transtornos psicóticos onde a ansiedade e o medo são seus maiores obstáculos, e mesmo sabendo disso, ele leva uma vida normal de jovem adulto que está prestes a entrar na faculdade.
Em seu nicho ecológico, mesmo tendo todo o necessário para ser um jovem promissor tanto pessoal como profissionalmente, ele impõe obstáculos que o impedem de progredir, com isso ele se sente limitado e sem esperanças sucintas de crescimento pessoal. Analogicamente falando, Pedro tem dificuldades em terminar suas atividades, seja ler um livro até o final, ou continuar atividades físicas, ou então um desenho que começou. Será isso apenas preguiça, ou então seu transtorno é um tanto ativo como ele mesmo imaginava?!
Lucas Sátiro, um jovem alegre, cheio de energia, bom de bola, bom com as garotas e um poliglota é o melhor amigo de Pedro. Porém, por incrível que pareça Pedro não o inveja, ele apenas o admira, e busca forças para seguir o exemplo de seu amigo. No entanto, falta algo para que isso seja possível, e é nesse instante é que seu mundo fica opaco e seus traços se perdem. "Falta algo, falta algo...mas o que?", ele se pergunta, mas mesmo vasculhando em seu interior as respostas se confundem, e ele acaba não conseguindo chegar a uma conclusão que o satisfaça. Chegara a pensar que isso tudo não passava de uma bobagem, ou que isso iria passar com o tempo, entretanto quanto mais martelava isso em sua mente, mais seu complexo de ansiedade por uma busca de resultados aumentava.
O garoto, notava que o relógio rodava, dia após dia, ano após ano, e mesmo assim, suas perguntas e criticas sobre si mesmo só cresciam, e as respostas que queria não eram suficientemente convincentes para que se desse por vencido. Leu em vários sites, buscou opiniões de amigos próximos, familiares, estranhos e por fim decidiu buscar uma ajuda profissional. Porém, tudo que aquela pessoa sentada em uma cadeira de couro luxuosa, atrás de uma mesa de madeira marfim conseguiu lhe dizer, não foi nada mais, nada menos, do que já sabia e já havia buscado saber.
Seus questionamentos eram insaciáveis, e nem ele mesmo o compreendia. Nisso, muitas pessoas ao seu redor, chegaram a acreditar que a qualquer momento ele poderia cometer alguma besteira, mas nisso ele era lúcido, e tamanha besteira nunca havia passado em sua cabeça...Ao final de um certo tempo se estudando, ele finalmente se cansou e conformou-se de que suas dúvidas eram intermináveis e que nada no mundo teria uma solução completa, nem seus próprios problemas, nem os dos outros. E sempre haveria algo em sua cabeça que o deixaria preso em um paradoxo sem fim.
Deste modo, chega-se a conclusão que: "esse cara não é tão louco assim". Porque no fim, todos somos iguais ao Pedro, uns mais outros menos. Mas o que não se pode perder é a ganância de querer sempre a resposta para o que nos perturba e o que nos incomoda. Inerentemente a essa questão: "Um homem que não pensa pela sua própria cabeça, pura e simplesmente não pensa." - Oscar Wilde
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